O plano de estabilização promoveu transformações
significativas na estrutura do consumo e da poupança na
economia brasileira. No que se refere especificamente à
poupança financeira doméstica, verifica-se uma mudança
na sua estrutura, com o crescimento das aplicações
em fundos de investimento e papéis envolvendo maior risco,
em relação aos títulos de renda pré
ou pós-fixada que prevaleciam no período inflacionário.
Com a manutenção de baixas taxas inflacionárias
e do programa de privatizações, auxiliado pelo contínuo
ingresso de capital estrangeiro, o mercado de valores mobiliários
experimentou uma evolução expressiva desde julho
de 1994 quando da introdução do Real. Esse processo
acentuou-se ainda mais com o declíinio da taxa de juros
doméstica a partir do segundo semestre de 1995. A expansão
gradual desse mercado deverá não só consolidar-se,
com o crescimento sustentado da economia brasileira, como mudar
de patamar num futuro próximo, com os avanços nas
reformas administrativa e previdenciária e consequente
liberação de recursos atualmente drenados para o
financiamento do déficit público.
O mercado de valores mobiliários vem tornando-se um dos
instrumentos de que dispõe o Governo Federal para aumentar
a taxa de poupança doméstica da economia, pelo
apelo que possui quanto a expectativas de taxas de retorno mais
elevadas, embora com maior risco, e de participação
nos lucros das empresas. Por outro lado, devido à transparência
de suas negociações e o caráter público
das informações envolvidas, o mercado propicia maior
eficácia dos investimentos, contribuindo para viabilizar
taxas de crescimento econômico mais elevadas. Trata-se também
de um instrumento de indução de investimento externo
nas empresas brasileiras, através dos mercados primários
e secundários de ações e de debêntures.
Por apresentar nível técnico compatível com
os grandes centros internacionais de negociação
de valores mobiliários, o mercado brasileiro vêm
conferindo liquidez e segurança aos investidores externos,
criando condições para o alongamento dos prazos
de resgates de suas aplicações.
A seguir destacam-se os principais aspectos referentes à
evolução do mercado de valores mobiliários
nos três anos de vigência do Plano Real.
O processo de fechamento de capital de companhias abertas que
vinha acentuando-se com a crescente instabilidade da economia,
foi revertido a partir de 1994, passando de 829 em dezembro de
1993 para 941 em junho de 1997 o número de empresas que
abriram o capital junto ao mercado, conforme ilustram os dados
a seguir:
Os fluxos de emissões primárias de ações
e de debêntures aumentaram significativamente atingindo
US$ 1,6 bilhão e US$ 3,2 bilhões no primeiro semestre
de 1997, valores 3 e 7,7 vezes superiores aos do primeiro semestre
de 1994, respectivamente. Como conseqüência do processo
de estabilização, pode-se identificar também
uma tendência de aumento nos prazos das debêntures
emitidas, abrindo-se perspectiva para mais uma fonte de recursos
de médio e longo prazos para as empresas nacionais.
No mercado secundário de ações a evolução foi ainda mais representativa do impacto conjunto de fatores como baixa inflação, privatizações, redução de juros e entrada de capital externo.Verificou-se um aumento no valor médio diário das transações das bolsas de valores de US$ 161 milhões em 1993 para US$ 825 milhões no primeiro semestre de 1997. Da mesma forma, como coadjuvante no processo de reestruturação patrimonial de empresas privadas e estatais, o mercado tem viabilizado a captação de recursos em montantes crescentes, através de distribuições secundárias - "block trades". No primeiro semestre de 1997 essas distribuições somaram US$ 2,5 bilhões, 30% das quais referentes a empresas distribuidoras de energia elétrica.
Em consequência do aumento do número de companhias abertas, das emissões primárias e da própria evolução dos preços das ações, o valor de mercado do conjunto das empresas com ações listadas nas bolsas brasileiras passou de US$ 76 bilhões em junho de 1994 para US$ 316,6 bilhões em junho de 1997. O valor de mercado das ações de propriedade da União Federal nas principais companhias abertas - Petrobrás, Telebrás, Vale do Rio Doce, Banco do Brasil e Eletrobrás, evoluiu de US$ 22 bilhões em dezembro de 1995 para cerca de US$ 60 bilhões em junho de 1997, já descontadas todas as vendas e privatizações no período.
Os Fundos de Investimento de Ações e de Carteira Livre, que têm aguçado a propensão a poupar das classes média e alta brasileiras, tiveram uma evolução de seu patrimônio total de US$ 2,3 bilhões para US$ 18,4 bilhões entre junho de 1994 e junho de 1997, representando um aumento nominal de 687%. Considerando-se a valorização do IBOVESPA de 125% em termos reais no mesmo período, pode-se avaliar o significativo aumento da demanda por esses fundos.
O movimento de recursos via Anexo IV reflete um aumento de confiança dos investidores estrangeiros a partir do 1996, após um período inicial de incerteza, basicamente devido a fatores externos como a crise do México. O montante líquido de ingressos no primeiro semestre deste ano é aproximadamente igual ao valor líquido captado em 1996, conforme os dados a seguir.