Assessoria Econômica - ASE
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PANORAMA DO MERCADO SECUNDÁRIO INTERNACIONAL DE VALORES MOBILIÁRIOS
Última Atualização: Maio de 2003.
DADOS E FONTES
A
planilha construída para o presente estudo contém um levantamento da evolução de estatísticas descritas a seguir, para um grupo de países, ao longo da década de noventa. Ela será atualizada anualmente pela ASE, ou em caso de eventual revisão.As fontes dos dados foram a
Federação Mundial de Bolsas de Valores (World Federation of Exchanges, mais conhecida pela sigla francesa Federation Internationale des Bourses de Valeurs – FIBV) e o Fundo Monetário Internacional – FMI. A FIBV, fundada em 1961, reúne as principais bolsas de valores mobiliários do mundo inteiro. Em seu site, podem ser encontradas as mais diversas estatísticas relacionadas às bolsas, inclusive o valor de mercado e o número de companhias domésticas listadas. Já, do FMI, foram coletados os dados de Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes.Devido à falta de dados para algumas bolsas antes de 1995, a análise seguinte baseia-se nos dados referentes à segunda metade da década de noventa até final de 2002.
O CRESCIMENTO ECONÔMICO E A CAPITALIZAÇÃO DE MERCADO
Uma estatística freqüentemente levantada em análises comparativas de diferentes mercados de capitais internacionais é a capitalização de mercado, expressa como um percentual do PIB do país. A estatística, que chamaremos neste trabalho "capitalização relativa", é obtida pela razão entre o valor (em dólares correntes) do total das ações negociadas no mercado organizado, e o PIB (também convertido em dólares correntes). A capitalização de mercado é definida como o somatório das ações emitidas por cada empresa da bolsa multiplicadas por suas respectivas cotações. Observe que a capitalização é calculada pelo valor das ações ao final do ano. É um indicador muito usado pois representa o valor de todas as empresas listadas, ou seja, o tamanho do mercado.
No período em estudo, a capitalização de mercado do grupo de países industrializados representou, em média, quase o dobro daquela do grupo dos países emergentes: 73% contra 40% do PIB. Essa diferença, à primeira vista, parece indicar que a industrialização e o desenvolvimento econômico são positivamente correlacionados com o desenvolvimento do mercado de capitais, medido pela capitalização relativa. No entanto, veremos que essa diferença também pode ser reflexo da bolha especulativa do final dos anos noventa.
O
Gráfico 1 mostra a evolução da capitalização relativa ao longo dessa década. Nele, a capitalização relativa nos países industrializados aparece, durante todo o período analisado, acima da dos emergentes. Essa superioridade, contudo, acentua-se claramente a partir de 1996, período especulativo nos mercados americanos associado às ações de empresas de alta tecnologia e Internet. Iniciado no final dos anos oitenta, o rápido ritmo de desenvolvimento nos mercados de ações dos países emergentes foi abastecido pela explosão nos fluxos de capital internacional vindos dos países industrializados, segundo Yilmaz (2001). Outros motivos foram, de acordo com o texto de Cetorelli (2002), as reformas financeira e regulatória ocorridas nos países emergentes.A partir de 1997, ocorreu uma reversão no movimento de crescimento dos países emergentes, determinando um descolamento destes em relação aos industrializados. A trajetória de crescimento do PIB nos países emergentes reverteu-se na Crise Asiática de 1997 e na Crise Russa de 1998. Segundo o relatório
Financiamento do Desenvolvimento Global (Global Development Finance) 1999, esse ritmo reflete a desaceleração no crescimento do comércio internacional, a queda dos preços das exportações das matérias primas e as condições mais difíceis de financiamento a longo prazo. Embora o impacto desses fatores varie bastante de país para país, a sua combinação reduziu a demanda geral dos países emergentes. Outros fatores foram as sucessivas crises e choques ocorridos ao redor do mundo, como, a crise do México e a revolução tecnológica. No entanto, essa desaceleração ocorreu em escala cada vez menor até 1999. Neste mesmo ano, ambos os grupos de países atingiram o pico, com a capitalização de mercado no grupo de emergentes atingindo 57 contra 108% do PIB, nos industrializados.A crise financeira mundial do fim dos anos noventa, que começou no Leste Asiático de 1997 e, redobrou-se no ano seguinte a partir da Rússia teve profundo impacto nos países emergentes.
Observando o comportamento das variáveis em estudo, verificamos certos padrões nos
Gráfico 2 e Gráfico 3.Tendo em vista a análise dos grupos de países, nos pareceu interessante destacar adicionalmente a importância individual dos países envolvidos. Na
Tabela 1 está representado o ranking dos países que compõem cada um dos grupos, em ordem decrescente de capitalização relativa, mostrando a variação individual da capitalização e do PIB para cada país. Dessa forma, podemos verificar uma possível justificativa para a capitalização relativa, uma vez que esta varia em função da capitalização absoluta ou do PIB. Entre os emergentes, três países destacam-se, com uma capitalização relativa de mais de 80% do PIB: África do Sul, Taiwan e Chile. No grupo das economias industrializadas, a maior capitalização relativa é a de Hong Kong. No outro extremo, os países com menor capitalização relativa foram a Argentina entre os emergentes e a Itália entre os industrializados. Constatamos que, apesar de estar posicionado em 20º lugar no ranking, a baixa capitalização relativa do México, por exemplo, reflete o elevado crescimento desta economia, que foi de 124% no período. A China, por ser um mercado recente com suas bolsas operando a partir de 1990 e sua economia estar crescendo aceleradamente, apresentou uma variação no valor de mercado de suas companhias mais que sete vezes acima do crescimento de seu PIB.
A AVALIAÇÃO DO VALOR DE MERCADO DAS COMPANHIAS
Outra estatística construída para a presente análise foi a que chamaremos de "capitalização média de mercado", que é obtida pela razão entre a capitalização de mercado e o número de companhias listadas em bolsa. A estatística representa, em média, o preço de mercado de uma companhia listada na bolsa de um determinado país. De acordo com os dados disponíveis em nossa
base de dados, concluímos que, apesar dos países industrializados apresentarem um maior número de companhias em bolsa (11.214 contra 10.791), o aumento no número de companhias no período, foi ligeiramente maior nos países emergentes (34,4%) do que nos industrializados (33,9%).Pelos
Gráfico 4 e Gráfico 5 constatamos, a partir de 1996, um rápido crescimento no número de companhias nos países emergentes. Tal movimento foi marcado pela contribuição dos mercados recentes como o da Índia, cujo número de companhias foi de 3.483 em 1996 para 7.167 no ano seguinte, tendo a China apresentado uma queda, indo de 1.501 para 799. Desde então, os emergentes apresentam uma trajetória de queda lenta. Em relação aos países industrializados, podemos dizer que em 1997 houve uma queda provocada pela redução do número de companhias nos EUA, indo de 8.823 para 8.461 no ano seguinte, sendo essa diminuição a mais significativa individualmente entre os demais países desse grupo. Posteriormente, percebeu-se a recuperação dessa variável.Os países que lideram o ranking da capitalização média são predominantemente os países industrializados.
Para analisarmos a trajetória da capitalização média de mercado em cada país no período em estudo, elaboramos um ranking desta variável, ordenando os respectivos valores de forma decrescente. De acordo com o
Gráfico 6, há indícios de que as companhias listadas em bolsas de países industrializados são mais caras ou, pelo menos, melhor avaliadas pelo mercado. Vemos que, a Índia apresenta maior número de companhias entre os emergentes, representando mais de 56% do total do grupo, aparecendo como a menor capitalização entre os países estudados. Outro caso interessante é o da Itália, que tem o número mais baixo de companhias em bolsa e uma maior capitalização média no grupo. Entre os emergentes, México, Taiwan e Brasil apresentam maior capitalização média.Baseando-se nos dados apenas de 2002, o ranking referido acima, mudou em alguns aspectos, como podemos ver no Gráfico 7. Um fato bastante relevante foi a fusão de bolsas européias (Euronext Amsterdam, Paris, Bruxelas e Lisboa) ocorrida em 2001. A capitalização média de mercado deste continente foi afetada uma vez que a Euronext aparece como terceiro colocado, indicando que uma companhia listada na bolsa estava sendo avaliada pelo mercado em US$ 1.381 milhões. No grupo dos países emergentes, o Brasil perde sua posição nos primeiros lugares no ranking. A China, com suas altas taxas de crescimento econômico, assumiu a quarta melhor posição entre o grupo dos países emergentes.
BIBLIOGRAFIA