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Thu Dec 08 18:51:00 BRST 2016

Ampliando debates sobre comportamento do investidor

Conferência aponta caminhos para promover educação financeira

O segundo dia da Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor (8/12) contou com discussões variadas em torno do tema, trazendo contribuições advindas da antropologia e da sociologia, por exemplo.

Ao abrir o encontro, José Alexandre Vasco destacou a importância da iniciativa diante do cenário de educação financeira identificado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que demonstra que há muito o que aprimorar em diversos países, inclusive no Brasil. André Laboul, presidente da OCDE International Network on Financial Education, parabenizou a Autarquia pela liderança e pelo papel ativo na organização, acrescentando que a educação financeira não deve ser isolada: deve se unir à proteção do investidor.

O programa de educação financeira da CVM surgiu em 1998 e a OCDE tem papel fundamental na nossa expansão. Com base em relatório da organização, demos início, junto a demais órgãos brasileiros, à Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF).” - José Alexandre Vasco

 

 

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José Alexandre Vasco e André Laboul compuseram a mesa de abertura do segundo dia de conferência

Experiências internacionais de educação do investidor

O que tem sido feito na Argentina, na Indonésia, na Itália, na Espanha e no Canadá? O primeiro painel mostrou aos participantes ações realizadas por reguladores para conscientizar a população sobre cuidados ao investir, como projeto de jogo de simulação em que os jogadores estabelecem investimentos como seus alvos e são notificados caso estejam próximos de caírem em armadilhas (Commissione Nazionale per le Società e la Borsa - CONSOB, Itália). Sites, campanhas televisivas e por outros meios de comunicação e e-books também foram apresentados.

 

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Palestrantes destacaram a necessidade de haver inovação e criatividade para disseminar a educação do investidor

A relação entre a confiança das pessoas e a regulação foi o destaque da palestra de Werner DeBondt, professor de finanças e fundador da Driehaus Center for Behavioural Finance (DePaul University - Chicago). Segundo o palestrante de A Psicologia da Regulação, o regulador deve ter cautela ao tentar impor regras e intervir na vida das pessoas, até mesmo porque às vezes o papel é desconhecido.

Dando sequência ao encontro, Annamaria Lusardi (diretora do Global Financial Literacy Excellence Center - GFLEC), no painel Estudo de Capacidade Financeira nos Estados Unidos, apresentou pesquisa elaborada pela Finra Education, que concluiu, dentre outros pontos, que o nível de conhecimento financeiro não necessariamente cresce na medida em que os norte-americanos envelhecem.

A relação entre a confiança das pessoas e a regulação foi o destaque da palestra de Werner DeBondt, professor de finanças e fundador da Driehaus Center for Behavioural Finance (DePaul University - Chicago). Segundo o palestrante de A Psicologia da Regulação, o regulador deve ter cautela ao tentar impor regras e intervir na vida das pessoas, até mesmo porque às vezes o papel é desconhecido.

Dando sequência ao encontro, Annamaria Lusardi (diretora do Global Financial Literacy Excellence Center - GFLEC), no painel Estudo de Capacidade Financeira nos Estados Unidos, apresentou pesquisa elaborada pela Finra Education, que concluiu, dentre outros pontos, que o nível de conhecimento financeiro não necessariamente cresce na medida em que os norte-americanos envelhecem.
 

Ciências sociais contribuindo para os estudos
 

Sob a ótica da antropologia e da sociologia, o quarto painel discutiu as relações entre as pessoas e o uso do dinheiro e as inovações tecnológicas. Bill Maurer, PhD da Universidade da Califórnia, mostrou que o dinheiro não é uma mera moeda de troca, mas um fenômeno social, tendo em vista as suas formas de utilização que podem demonstrar aspectos como segurança ou exibicionismo.

Juan Pablo Pardo-Guerra (PhD da Universidade da Califórnia) abordou os desafios que a tecnologia impôs no âmbito organizacional. Já Maurício Prado, da University College London, contou como foi possível identificar três perfis comportamentais das classes C, D e E em relação às finanças. São eles:

● desorganizados: “deixam a vida levar”, ou seja, não se preocupam em se endividar.
● conservadores: não correm riscos, evitando usar cartões, por exemplo.
● planejados: consomem de maneira consciente e organizam orçamento.

 

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Mauricio exibiu vídeo feito com representantes de cada perfil)

Como atrair diferentes perfis de investidores para promover a educação financeira? Esse foi o tema central de encontro com representantes de instituições financeiras, que comentaram desafios e soluções para a questão.

Ana Leoni, superintendente de educação da Anbima, compartilhou resultados de pesquisa realizada pela associação na qual constatou-se que para se comunicar com os investidores é preciso quebrar barreiras, ajudar no processo de decisão e destacar benefícios dos produtos financeiros. Para ilustrar o debate, Luciano Tavares e Anderson Luís Paiva Pinto mostraram como o bom uso da comunicação auxiliou as suas empresas a educar investidores e atrair clientes.

Os idosos foram o foco de painel sobre essa etapa de vida e a vulnerabilidade financeira. Estudiosos comentaram as formas de violência cometidas com esse público e de que maneira o Ministério Público vem atuando para auxiliá-los, além da percepção dos idosos a respeito das suas tomadas de decisão e consequências para a qualidade de vida. Anna Beatriz Rodrigues, PhD do Instituto de Psicologia, aproveitou a ocasião para anunciar pesquisa que será realizada com a CVM sobre propensão e tolerância ao risco e bem-estar dos investidores brasileiros. Encerrando a sessão, Gerri Walsh vice-presidente sênior da Finra, informou como reguladores de valores mobiliários dos Estados Unidos estão direcionando investidores vulneráveis.

Moderado por Guilherme Braga, servidor da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM, o painel Recomendações de Investimentos: Assegurando sua adequação encerrou a programação da conferência expondo a atuação das instituições financeiras para oferecer produtos mais moldados às expectativas dos clientes, com base em estudos que verificaram, por exemplo, o que eles consideram como perda financeira.

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Guilherme Braga abordou a Instrução CVM 539, que dispõe sobre o dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente

Amanhã (9/12), é o último dia da semana de eventos relacionados à educação financeira, promovida pela Autarquia. Confira, no Portal CVM, a cobertura do Seminário Regional sobre Novas Tendências em Educação Financeira!

Tags: Nota, Evento
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